A sustentabilidade como aliada do desenvolvimento econômico

A sustentabilidade como aliada do desenvolvimento econômico

O tema da sustentabilidade nunca esteve tão presente nas várias camadas da sociedade, e na economia não poderia ser diferente. Pensar nas relações de consumo em sintonia com a preservação da biodiversidade não é mais uma escolha, mas um caminho sem volta. Muitos negócios ao redor do mundo já tomaram essa consciência e implementaram mudanças importantes nesse sentido, que impactam positivamente nos resultados financeiros e ainda ajudam na sobrevivência do planeta. O assunto foi um dos destaques da rodada de palestras Análise Ceplan 2022.

Empresas denominadas eco-friendly carregam consigo o tripé da sustentabilidade, que inclui práticas sociais, ambientais e econômicas alinhadas com o seu desenvolvimento. Para o consultor do Centro Brasil no Clima, Sérgio Xavier, pensar de modo sustentável é se preocupar com a sobrevivência do próprio negócio. “As empresas dependem de energia, água, matéria prima, do clima e de equilíbrio ambiental para terem seu funcionamento pleno. Além de contribuir para redução de emissões de gases do efeito-estufa, elas precisam se adequar a esses novos desafios que já estão colocados e os que ainda estão por vir, como falta de insumos por causa dos colapsos no ecossistema e de energia, como ocorreu recentemente, falta de água… As empresas precisam estar atentas a tudo isso para serem capazes de funcionar”, explica.

Ainda segundo o especialista, não existe uma receita de bolo, mas para negócios que querem ingressar no caminho da sustentabilidade o momento é de dar os primeiros passos. “Agora é se preparar e se equipar para gerenciar bem os recursos, ter mais eficiência, gastar menos e produzir mais e, ao mesmo tempo, exigir que o conjunto da sociedade também faça esse esforço”, diz Xavier.

A sustentabilidade é item indispensável não apenas da agenda das empresas, mas da própria agenda econômica. Práticas mais conscientes também podem se reverter em lucratividade. “Existem muitas oportunidades dentro desse modelo, que exige eficiência energética, gestão e soluções de problemas. É um mercado que se abre para diversos setores, como já temos visto por aí, a exemplo da produção de serviços de energia renováveis, carros elétricos, captura de carbono e equipamentos para reuso da água por fábricas, por exemplo. É um conjunto de negócios que gera oportunidade para quem abraça a sustentabilidade”, afirma Sérgio Xavier.

O Brasil, que deveria ser referência em processos mais conectados com o ciclo da natureza, ainda dá passos curtos nessa matéria. A boa notícia é que três das 100 empresas consideradas as mais sustentáveis do mundo em 2022 estão no país. Banco do Brasil, Engie Brasil e Natura ocupam boas posições no ranking da Corporate Knights, empresa de mídias do Canadá especializada em desenvolvimento sustentável.

No cenário regional, Pernambuco tem se destacado na economia baseada em processos sustentáveis. Do ponto de vista energético, o estado demonstra potencial para a produção de energia eólica, solar e geração de biocombustíveis, o que abre um conjunto de possibilidades no futuro.

Outra vertente bem explorada é a tecnológica. O Porto Digital, sediado no Recife, é o exemplo de que o conhecimento de ponta pode abrir caminhos para impulsionar a bioeconomia. “A sustentabilidade exige gestões complexas, conjunto de procedimentos que precisam de sistemas interligados, muita comunicação, então a área digital é uma grande oportunidade para Pernambuco decolar nos negócios sustentáveis”, ressalta Sérgio.

A regulamentação do mercado de carbono, chancelada na última conferência do clima da ONU, em novembro de 2021, pode abrir espaço para que os estados do Nordeste possam gerar seus projetos e atraiam mais recursos. No entanto, apesar do acerto global, cada país precisa montar o seu modelo de crédito de carbono, algo que o Brasil ainda não fez pois o texto do PL 528/2021 segue travado na Câmara dos Deputados.

Mesmo com o impasse, as inciativas sustentáveis seguem, tanto na esfera privada quanto na pública. Um exemplo é Fernando de Noronha que conta com uma lei que determina um prazo para a retirada dos veículos à combustão da ilha. A partir de agosto de 2023, apenas carros elétricos poderão entrar no arquipélago. Para dar suporte a essa nova realidade, painéis solares e fontes renováveis de energia estão sendo ampliadas e vão funcionar como pontos de recarga desses veículos.

Geração de negócios pela economia circular

Quando se fala em sustentabilidade é preciso pensar também nas pessoas. É nesse contexto que nasce a economia circular, que dá um novo sentido aos recursos da natureza e estimula a renda de quem mais precisa. O papel da economia circular é conectar processos econômicos e sociais com os ciclos da natureza.

Experiências já presentes no cotidiano como compartilhamento de veículos, uso de aplicativos para otimizar produtos e serviços, virtualização de documentos e reutilização de matérias fazem parte desse conceito, que chegou para ficar.

De todos os ganhos obtidos nesse processo, o maior deles é a oportunidade de inclusão. A economia circular estimula o que chamamos de indústria ao contrário, onde o que era para ser descartado, gera emprego e renda. “Hoje muita coisa que era descartada em lixões, rios e locais inadequados está servindo de base para essa indústria reversa, que inclui cooperativas de catadores, gerando renda e garantindo um processo mais profissional de atuação. É um caminho que não só vai garantir o reequilíbrio das atividades humanas, mas também uma melhor performance para as empresas e mais oportunidades de emprego”, relata Sérgio Xavier.